Marisa Rosas recebe Bolsa Família, levou R$ 585 mil do PRB e só teve 161 votos

Marisa faz jus ao lema e agora é mesmo “a mulher em foco”

Marina Dayrell
Estadão

O Ministério Público Eleitoral no Maranhão, por meio do procurador regional Eleitoral substituto, Juraci Guimarães Júnior, determinou a instauração de procedimento extrajudicial e inquérito policial para apurar eventuais irregularidades na prestação de contas da candidata a deputada estadual Marisa Regina Duarte Teixeira, a Marisa Rosas, do PRB. A candidata, sua contadora e representantes de empresas contratadas com a verba de campanha, doada pelo Partido Republicano Brasileiro, serão ouvidos.

Por meio de dados do Sistema de Divulgação de Candidaturas (DivulgaCand), da Justiça Eleitoral, a Procuradoria já verificou que, dos onze candidatos a deputado estadual e dois candidatos a deputado federal pelo PRB no Maranhão, Marisa Rosas foi a segunda maior beneficiária de doações da Direção Nacional do partido, apesar de nunca ter sido candidata e, desde setembro de 2016, receber auxílio financeiro do Programa Bolsa Família.

VERBA ALTA – De acordo com o DivulgaCand, Marisa Rosas recebeu doação no montante de R$ 585 mil da Direção Nacional do partido, dos quais 39,31% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e 60,68% do Fundo Partidário (FC). Mas teve apenas 161 votos nas eleições de 2018.

No sistema da Justiça Eleitoral consta que os recursos teriam sido utilizados para pagamentos de publicidade por materiais impressos, combustíveis e locação de veículos.

Para Juraci Guimarães Jr., “a condição econômica da candidata, aliada à sua inexperiência política, não torna crível que ela tenha sido agraciada pelo partido como a segunda maior beneficiária e tenha tido tão inexpressiva votação”.

DINHEIRO PÚBLICO – A instauração de procedimento pelo Ministério Público e a determinação de abertura de inquérito policial têm objetivo de ‘apurar eventual prática de desvio de dinheiro público das eleições’, informou a Assessoria de Comunicação da Procuradoria.

A Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão determinou a instauração de notícia de fato eleitoral e inquérito policial ‘a fim de apurar eventual prática de crimes e irregularidades na prestação de contas da candidata a deputada estadual Marisa Rosas’.

Além da candidata, a Procuradoria vai ouvir a contadora Tatiana Gomes Melo, e os representantes legais das empresas L Ferreira Paz de Sousa, K de Sousa Pinto, HSC Pereira, Gráfica Santa Clara e LAS de Lemos, que não responderam à reportagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É claro que o laranjal não se limitou às searas do PSL, praticamente todos os partidos entram nessa onda e a Justiça Eleitoral simplesmente ignora as irregularidades. Só está fazendo apurações porque a Folha de S. Paulo levantou a cortina, ao descobrir as candidaturas laranjas nos diretórios do PSL em Minas Gerais e em Pernambuco. A Justiça Eleitoral, pérola das jabuticabas jurídicas brasileiras, deveria ser extinta aqui na Filial e funcionar como na nossa Matriz, os EUA. Ficaria muito mais barato e prático. (C.N.)  

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